Quando a Revolução bate à porta...

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Location: Lisbon, Portugal

Sunday, May 03, 2009

Staff Benda Bilili

Apresento-vos Staff Benda Bilili.
Não ouviram, nem viram nada igual.
É uma banda formada por músicos de rua de Kinshasa, no Congo. Outra particularidade, são todos paraplégicos, vítimas da guerra ou das minhas.
Rythm and Blues, Reggae, Funk. Todos estes estilos são encontrados na música destes homens que não sabem ler, nem escrever. Nunca aprenderam a compôr música. Fazem-no por ouvido. E os instrumentos são feitos, TODOS, com velharias que vão apanhando do chão. Acabaram até por criar um instrumento novo, tocado neste video por um jovem orfão.
Este grupo é formado por velhos senhores das ruas que, num trabalho humanitário, mesmo sem ter nada, acolhem e protegem os miúdos orfãos das ruas congolesas, impedindo-os de se "perderem", com o objectivo de lhes deixar o legado.
As letras, sábias, refletem a ironia de quem vive na rua.
Ao fim de anos e anos de existência, alguém os descobriu e gravou com deles.
"Très Très Fort" é o nome do primeiro album, gravado ao ar livre, no jardim zoológico de Kinshasa.
O album está à venda desde Fevereiro/Março deste ano.

Na língua deles, "Benda Billi" significa "ver para além das aparências".
E é isso que vos peço.


Palavras perigosas

O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Vital Moreira, foi insultado durante as manifestações do 1º de Maio. Cuspiram-lhe, atiraram-lhe garrafas e chamaram-lhe nomes giros.
Dizem os partidários que Vital Moreira foi agredido.
Na sequência das ditas "agressões", surge esta citação que vos deixo mais abaixo. Nem o contexto desta declaração jutifica a escolha de palavras. Assim se vê o que realmente define a política deste homem. É como ver um discurso sem som... apreende-se outra realidade, mais genuína...

"O que se passou merece censura.
Todos os democratas, a primeira coisa que fazem quando há um acto destes, é censurarem. Porque essa censura é fundamental para que a nossa democracia seja mais forte.
Nós não queremos conviver com aqueles episodios."
José Sócrates, a 02 de Maio 2009.

Quando se vive em democracia, há que saber conviver com episódios que nem sempre lhe são favoráveis. Ouvir palavras que nem sempre são do seu agrado. Ou até ler textos que nem sempre abonam a seu favor. A política de "um homem só" não lhe fica bem.
E mais não digo, que não me apetece ter dores de estômago...

Amor: A mais sublime Obra de Arte humana

Regresso 5 meses depois, com um valente pedido de desculpas, mas com o melhor.
Gostava que tivessem a paciência de ler este post que se segue.
Como Sartre tinha a Simone de Beauvoir, André Gorz tinha Dorine. Uma história de amor ainda mais especial.

Descobri um livro maravilhoso, que ainda não está traduzido para português. É o último livro de André Gorz.
Filósofo, escritor e jornalista austríaco, naturalizado francês, André Gorz (1923-2007) é também conhecido sob o pseudónimo Michel Bosquet no Le Nouvel Observateur, um semanário do qual foi um dos fundadores.
Ele foi apoiante de Sartre e isso reflete-se na sua obra. E na sua vida.
André Gorz escreveu sobre uma história de amor. A sua. De meio século. 58 anos, para ser mais precisa.
Uma carta em forma de livro.
É a expressão mais bonita da obra de arte humana: manter um amor a vida inteira.
Dorine é o nome da mulher que sacrificou tudo pelo homem que amava. E ele desvolveu-lhe em gratidão. O resultado: ele suicidou-se com ela.
Uma declaração de amor numa morte encenada.
Aconteceu em Setembro de 2007. Dorine estava muito doente com uma doença degenerativa a que se juntou um cancro. André sabia que ela morreria. E como ele não podia suportar essa ideia, sabia que não conseguiria viver sem ela, ambos combinaram morrer juntos. Ele matou-a primeiro e juntou-se a ela depois.
Ele com 84 anos, ela com 82.

Deixo-vos com o texto inicial e o texto final do livro Lettre à D, Histoire d'un amour, traduzidos a título pessoal pela professora Maria do Carmo Vieira.
As duas passagens refletem a estrutura perfeitamente organizada do livro, onde compreendemos bem a passagem do tempo e a decisão tomada.

"Vais fazer 82 anos. Perdeste 6 centimetros, pesas apenas 45 quilos e continuas bela, graciosa e desejável. Vivemos juntos há 58 anos e amo-te mais do que nunca.
Sinto novamente, no fundo do meu peito, um vazio devorador que só o calor do teu corpo contra o meu preenche. Preciso tornar a dizer com simplicidade estas coisas simples antes de abordar as questões que já há algum tempo me atormentam.
Porque razão estás tão pouco presente no que escrevi, quando a nossa união representa o que há de mais importante na minha vida?
Porque razão dei de ti, oh traidor, uma falsa imagem que te desfigura?
Esse livro deveria mostrar que a minha ligação a ti constituiu a viragem decisiva que me permitiu querer viver.
Porque razão então não referi a maravilhosa história de amor que começaramos a viver 7 anos antes?
Porque razão não falei do que me fascinou em ti?
Porque razão te apresentei como uma criatura digna de piedade, que não conhecia ninguém, não falava uma palavra de francês, se teria destruido sem mim, quando tu tinhas o teu círculo de amigos, fazias parte de uma companhia de teatro de Lausanne e eras esperada em Inglaterra por um homem decidido a casar contigo?
Preciso reconstituir a historia do nosso amor para aprender todo o seu sentido. Foi ela que nos permitiu ser quem somos. Um pelo outro. E um para o outro.
Escrevo-te para compreender o que vivi. O que vivemos juntos."

"Acabas de fazer 82 anos. Continuas sempre bela, graciosa e desejável. Há 58 anos que vivemos juntos e amo-te mais do que nunca.
Recentemente tornei a apaixonar-me por ti, mais uma vez, e sinto de novo um vazio devorador que só o teu corpo apertado contra o meu preenche.
Vejo por vezes à noite, a silhueta de um homem, que numa estrada vazia e numa paisagem deserta, caminha atrás de um carro funerário. Eu sou esse homem. És tu que o carro funerário transporta. Não quero assistir à tua cremação. Não quero receber uma urna com as tuas cinzas. Ouço a voz de Kathleen Ferrier que canta "Um mundo está vazio, não quero viver mais" e desperto.
Vigio a tua respiração. A minha mão toca-te ao de leve.
Gostariamos, cada um de nós, de não ter de sobreviver à morte do outro.
Dissemo-nos muitas vezes que, se por milagre, tivessemos uma segunda vida, quereriamos passa-la juntos."

21 de Março- 06 de Junho 2006

André Gorz

Thursday, December 18, 2008

Merry something and happy whatever!

E para esta época de festas, deixo-vos a última pérola destes meninos...
Boas festas!

Tuesday, November 25, 2008

Gravidez Securitas

É impressão minha ou é pouco viável ter como segurança uma mulher... grávida de 7 meses???!!!
O edifício da TSF tem uma...
Está de farda cinzenta e tem "Securitas" escrito na lapela e nas duas mangas do casaco.
É segurança. Não há dúvidas.
Está grávida. Bem grávida. Ou estará apenas gorda??
Seja como for, não consigo imaginá-la a correr atrás de quem quer que seja.
Mas se calhar, ou eu sou preconceituosa, ou então não sei bem qual o trabalho de um "Securitas"...

Taxista... estrangeiro??

Hoje julguei ter tido uma estreia...
Apanhei um taxi à porta do ministério da defesa.
"Fa favó... é pa onde?"
Ao sotaque, somei o ar e pensei: Olha, um taxista romeno... russo... ucraniano... epá de leste!
Sim, também tenho estes rasgos de ignorância, como um chinês quando me vê e pensa: lá vai uma espanhola... francesa... latina... sei lá, lá pr'aqueles lados de lá!
Bom, onde ia eu? Ah, já sei, estava intrigada e surpreendida pelo facto de um cidadão natural do leste poder conduzir um taxi em Lisboa e saber as moradas.
Uma estreia.
E como boa portuguesa quando fala com um estrangeiro, digo na minha melhor dicção e um bocadinho mais alto: "É PARA A TSF... SABE ONDE É?"
"Sim sim... é na Matinha... Qual o caminho que prefere?"
"O mais rápido", respondo.
"Obrigado".
Definitivamente é de leste. Desfaz-se em agradecimentos e tudo...
A identificação do taxista estava tapada pelo banco do pendura. Não me dei ao trabalho de espreitar para satisfazer a curiosidade.
Decidi por isso meter conversa e ser simpática para com o cidadão estrangeiro, para que se sentisse integrado e bem aceite.
"Então e o senhor é de onde?"
"De Lisboa..."
Olha-me este!
"Sim, mas nasceu onde?"
"Em Lisboa..."
"Ah..."
E decidi fazer o que deveria ter começado por fazer...
Inclinei-me, espreitei o cartão de identificação do taxista e leio:
Luis Miguel DA SILVA Marçal...
Bem tipico da... Hungria??
Estúpida! Português... alfacinha de gema!

Então...?? mas então??? que sotaque era aquele???
Ahhhh... era anormal!!!
Ah então está bem...

Sunday, November 16, 2008

Filhos da Solidão...

Se tiverem paciência para ouvir 40 minutos de reportagem sonora, por favor não percam isto.
Mesmo que não tenham paciência, tentem ouvir. Por favor.
É uma grande reportagem da TSF, feita pela jornalista Ana Catarina Santos, com sonorização de Mezicles Helin.
São ambos meus amigos, mas sobretudo excelentes profissionais.
E ela para além de boa jornalista, inteligente e tal, é bem gira! É só para não dizerem que as gajas giras... são só giras!

Confesso que chorei quando ouvi esta(s) "história(s)".
Sobretudo o desfecho...

A grande reportagem chama-se "Os Filhos da Solidão".
É a violência sobre idosos na primeira pessoa.
Talvez me tenha tocado especialmente, porque me viraram o espelho. Mostraram-me um outro lado da velhice que provavelmente nunca quis ver.
Uma realidade que conhecia, mas que só agora me tocou.
Agora vou ali dar um beijinho às minhas avós...

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1043564


PS: Quando entrarem neste link, não cliquem no video que lá está, cliquem onde diz "Ouça Aqui a reportagem audio". Vão parar a outra página e ai sim, carreguem no play. Entendido?

PS2: Nem eu fiz esta propaganda à minha própria grande reportagem... mas também quem quer ouvir falar de peixinhos??!! eheheheh!

Saturday, November 15, 2008

A cada minuto, é menos uma de nós...

E já que estamos numa de revolta pelo gasto estúpido de dinheiro em coisas parvas, inúteis e pouco inovadoras para a sociedade e chi sa, para a humanidade, tenho outra gira.
Há uns dias fui em reportagem para a divulgação do relatório das Nações Unidas sobre o estado da população mundial, no edifício novo da Assembleia da República.
Interessante.
Fui entusiasmada.
Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade, e só por boa vontade, estava lá e falou e tudo.
Cheguei às 10h da manhã.
À uma da tarde, continuava sem ver números e conclusões do relatório.
Até que me apercebo que não há grandes números, mas uma série de conceitos.
Eu passo a explicar.
Durante mais de 3 horas, estive a ouvir falar do relatório. Como suporte tinha folhas que nunca mais acabavam (a cores), livros com estudos e muitas outras coisas. Tudo sempre a cores e em português.
E depois de muitas voltas dadas à documentação e de muito ouvir quem falava, percebi que durante um ano, uma comissão das Nações Unidas foi paga para concluir que a cultura interfere com os direitos humanos.
Ahhh… genial.
Definições de cultura, ideais de como não interferir com a cultura, explicações de como o desenvolvimento da cultura se deveria tornar num direito, palavras duras sobre a violação dos direitos humanos e meios sociais onde é difícil mudar tradições.
Coisas novas portanto.
A razão: as mulheres representam 60% da população mais pobre do mundo. Todos os anos morrem mais de 500 mil mulheres por falta de cuidados de saúde reprodutiva (leia-se parto ou gestação). A cada minuto, uma mulher morre a dar à luz, ou na sequência disso. Números que se mantém desde 1980. Realidades escandalosas que merecem intervenção da comunidade internacional.
No discurso de Catarina Furtado, a jovem apresentadora relatou a viagem à Guiné Bissau, onde os partos são feitos à luz das velas, onde os médicos não recebem salários, onde não há o básico para poder fazer um parto em condições.
Falta dinheiro. Falta investimento.
E, atingida por um relâmpago, perguntei-me:
Então, mas durante um ano, há uma comissão paga para desenvolver teses sobre cultura.
Durante o ano que se segue, a comissão viaja pelo mundo inteiro para apresentar este fantástico relatório.
A cada país a que se desloca a comissão, são impressos milhares de folhas a cores e impressos milhares de livros a cores, na respectiva língua do país em causa. O que pressupõe tradutores. Pagos.
Ehhh… posso ser redutora ou até simplista… mas se falta dinheiro nos países pobres, porque não agarrar no que foi gasto nesta fantuchada e aplicá-lo directamente onde é preciso???
A cada minuto morre uma mulher com falta de condições. Será que as merdas das palestras valem cada minuto perdido? Será que aquele relatório obsoleto vale o meio milhão de mulheres que perdemos neste último ano?
Mas que sei eu? Eu não sou embaixadora… tenho só imensa boa vontade.

Se eu tivesse estudado mais...

Há uns dias, fui em reportagem para a inauguração das novas instalações da Y-Dreams.
Ministros e empresários ouviam os discursos de apresentação da empresa.
Nos quadros superiores da empresa estão pessoas jovens, todas com cursos tirados no estrangeiro. São investigadores, gestores, marketeers.
Uma dessas pessoas, uma rapariga nova, cujo apelido inclui “doutorada na Universidade de Virgínia Tech., nos Estados Unidos”, foi uma das oradoras.
Ahhhhh!!!! Então assim sendo vou ouvir com mais atenção - pensei eu.
A jovem começa a falar com um sotaque daqueles… como é que eu vou pôr isto para que entendam melhor… olha, já sei, como o Futre duas semanas depois de ter ido para Espanha jogar. Só que neste caso, o sotaque é inglês, claro. Mais chique.
Ainda com maior entusiasmo e expectativa, ansiava por ouvir as sábias palavras desta jovem responsável pelo departamento de… ahhh, não sei. Não cheguei a perceber. Mas era doutorada pela Virgínia Tech!
Começo logo a ter problemas em seguir o raciocínio e a apresentação da jovem promissora quando o discurso inclui “palavras” como CEO (esta ainda apanhei), CTA, SAT, MIT, PCT… confesso que siglas, enfim, só mesmo as históricas ou políticas. No mundo empresarial é o mesmo que me explicarem ao pormenor um hardware…
E já eu estava à beira da apneia, com a explicação detalhada do “Invisible Networking” (em que fez questão de enumerar os nomes de todas as empresas incluídas na rede para quem trabalhavam) da Y-Dreams, quando ela exclama no auge do entusiasmo que só ela tinha: “Porque permite-nos investir em sectores muito interessantes e com grande potencial de negócio”!
Ah, abri logo a pestana! Deixa ver se tiro aqui alguma ideia para, de jornalista, me tornar numa empresária de sucesso- pensei eu.
E eis alguns exemplos geniais, que justificam valer sempre a pena estudar no estrangeiro.
Diz ela:
“O mundo das embalagens é fascinante! Está em crescimento e vale a pena apostar!(…)” Oi? Olha, embalagens… fascinante de facto… que me sugeres, jovem? “(…) já imaginaram por exemplo, abrirem o frigorifico e o pacote ter a data de validade à vista?!(…)” Hein??? Oi?? Olhei à minha volta, mas mantinham-se todos com um ar interessado nesta ideia BRILHANTE! Foi ai que comentei que tinha sérias dúvidas que ela soubesse o significado da palavra "cozinha"… e eis que, como se me tivesse ouvido, ela responde “e não seria igualmente genial que o pacote apitasse a avisar que a data expirou… eu não sei, mas a mim dar-me-ia (julgo que ela não usou esta forma verbal correcta, mas recuso-me a estragar o meu texto) imenso jeito! (…)”
É giro, sobretudo de manhã, ensonada, a querer despachar no silêncio, abrir o frigorifico e… CHINFRINEIRA DE APITOS! Ahhhh que boas são as tecnologias! E úteis! Gastar dinheiro em coisas úteis. Gosto.
Mas se pensam que ela ficou por aqui, nãooooo.
“Outro sector interessante é o dos média (…)” ah, aqui dizia-me respeito. Deixa la ver o que diz a senhora doutora da Virgínia Tech… “(…) já pensaram criar um jornal, mas em vez de ser de papel, é no computador, mas com páginas a imitar o papel, mas não sendo papel porque não é feito de celulose (…)”
Ponto 1- As pessoas que têm muitos estudos falam assim. Eu quando vou buscar uma resma de papel para a impressora e não encontro, pergunto bem alto: “Alguém viu a resma de várias camadas de celulose?” Porque é mais prático.
Ponto 2- Qual a utilidade de gastar imenso dinheiro num projecto que visa colocar on-line um jornal diário, mas com efeito como se fosse de papel? É assim tão inovador? Pode ser só de mim, posso ser esquisita, mas é interessante para? Nada. É útil para? Ninguém. É prático? Não. É giro?? Não. Pronto, estamos entendidos.
Mas ela prossegue.
“E há também outro sector que vale a pena pensar e investir. Neste caso, ligado à celulose. Já imaginaram termos uma folha em branco, em que se quiséssemos linhas, bastaria carregar num botão do lado direito da folha e apareceriam as linhas na folha? E se quiséssemos uma calculador, bastaria carregar no botão do lado esquerdo da folha para aparecer a calculadora?”
Levantei-me e sai da sala.
Mas se calhar sou só eu que não estudei na Virgínia Tech…

Thursday, October 30, 2008

Mequista... ou mecada?

E pronto. Não é que não me canso deste homem?!
Raios.
A capa da Sábado desta semana levou-me a devorar as várias páginas de entrevista ao MEC (Miguel Esteves Cardoso), ao mesmo tempo que lia um noticiário e escrevia noticias. Não largava a revista. Queria ler tudinho, não fosse a tinta desvanecer com o calor e levar-me as palavras deste homem.
Não fosse eu morrer nos próximos 10 minutos sem levar comigo os pensamentos, a vida, ou qualquer outra merda que este homem desabafe.
E nas páginas da Sábado pude ler muita coisa, interessante ou até mesmo perturbante.

Deixo aqui 3 passagens:
"Já fui mais ciumento. Agora, muito menos. Uma pessoa pode zangar-se, e por orgulho e vaidade pode estragar-se tudo. Acho que tenho de ter cuidado com o outro. Eu agora não falo com nenhuma gaja. Nem com as minhas amigas, faço como ela quer. E aviso as minhas amigas: "olha agora não dá para falar...". Não estragar um amor é uma forma de arte. Quando as pessoas se amam é tudo muito fácil. O verdadeiro romantico é uma pessoa excessiva, é a vida ou a morte. Eu acho que sou assim. De cada vez que passo num jardim, vou buscar uma flor e ponho na lapela, é ridiculo. (...)
Já consegui emocionar algumas pessoas, é esse o sonho de qualquer escritor. Falar de alguma coisa e as pessoas dizerem "é mesmo assim". Isso já consegui. Acontece raramente. Já me aconteceu sobre o amor, sobre o sentimento de luto.(...)
Quanto mais precisas de viver, mais tens de trabalhar e menos tempo tens para ti. O maior luxo é o tempo. O tempo é o meu maior património."

E não é que é mesmo assim.
Isto é doença.
Assumo.
Confesso.
Sou Mecodependente.
Será que há cura para o Mequismo?

Friday, October 24, 2008

Segredos do "casamento perfeito"

É este o título de uma notícia da Lusa. E porque serei uma eterna românitca, apaixonada inveterada, não resisti a ir lê-la. E que delícia...

João e Mariana Primoroso são casados há «58 anos e meio», como contam com orgulho.
O casal garante que uma união só perdura com compreensão, muita amizade e «um grande amor» - daquelas coisas que «já não se usam».
Tal como a maioria dos 32 casais de idosos homenageados pela Câmara de Oeiras com um passeio de barco pelo Tejo, para celebrar os seus 50 ou mais anos de casamento, João e Mariana lamentam que os pares mais jovens tenham perdido a «paciência» necessária. Ela diz ainda: «Gostava mais do meu tempo: era uma vergonha se não casássemos virgens, até nos vestíamos em alturas diferentes, tudo era uma novidade. Era mais bonito. Agora a mocidade não assume responsabilidades e vira logo as costas quando há problemas».
E o João acrescenta: «Às vezes brigamos, mas depois passa rápido». O mesmo homem que durante o primeiro ano de namoro («já lá vão 61 anos») celebrava todos os meses o dia em que o compromisso começara, oferecendo queijadas à mulher.
Mais de meio século depois, as ideias para se surpreenderem já não são tantas, mas nem mesmo assim o romantismo acabou e comemoram sempre o Dia dos Namorados e o aniversário de casamento.

Deliciosos são também Olinda e Júlio Teigão, que apesar dos 59 anos de vida juntos, ainda dizem: «Adoramos estar juntos»!
O casal Teigão também acredita que a mística da paixão não desaparece com facilidade. «No início de vida, sem muito dinheiro, foi difícil, porque o amor em si nunca é difícil. Não posso dizer que o romantismo é o mesmo, mas saímos, divertimo-nos muito e adoramos estar juntos», diz Olinda.
De mão dada com a mulher, Júlio concorda e assegura que, apesar de umas «zanguinhas normais», nunca se separaram e suportaram juntos todas as adversidades. Júlio afirma ainda: «Hoje as relações já não são como antigamente, tudo começa e acaba tão depressa, sem respeito nenhum».

O número actual de divórcios, sobretudo se comparado com a época destes casais, acaba por ser um facto chocante para quem acredita que um verdadeiro amor não acaba.
Repetindo a receita para um casamento feliz de outros convidados da Câmara de Oeiras , Adalzinda Simões insiste: «respeito, respeito, respeito, muita compreensão e calma nas fases más».
Mulher de Augusto Simões há 64 anos, depois de uma «atracção» imediata e de um namoro «sério» de dois anos, acredita que ter casado assim que se tornou maior de idade foi a melhor ideia que teve na vida. E garante mais: «Foi sempre tudo muito bom, os sentimentos mantiveram-se naturalmente. Há quem se separe até ao fim de meses e aí, desculpem lá, mas não houve amor de verdade».

Ora tomem!
Acho estes depoimentos deliciosos. Fazem-me acreditar que ainda é possível um amor para toda a vida. Uma relação de amor profundo, amizade e respeito que dure o resto de duas vidas, lado a lado. Quero acreditar que sim. Pode não acontecer e não é grave. Mas é possível. E isso, faz toda a diferença...

Se traires, cala-te...???

Confessar uma traição ao companheiro pode aliviar o teu sentimento de culpa, mas corres o risco de transformar a tua vida num inferno.
Os “Don Juan” desta vida parecem ter percebido isto muito bem e negam a traição até que haja provas irrefutáveis que ditem o contrário.
Quem o diz não sou eu. É o Times de Londres...
É verdade.
O diário inglês sustenta toda esta teoria do silêncio, sublinhando que a excepção se aplica em casos muito extremos em que é sempre melhor confessar o adultério.
O Times escreve mesmo que, depois de "pôr a pata da poça", o infiel arrependido deve pensar no que vai deparar-se e lembrar-se de 10 importantes "verdades".
O diário britânico publicou então "As 10 coisas a saber".
Ora cá vão então:

1) Ser infiel não é comum como tantas pessoas acreditam. Um estudo de 2006, levado a cabo pela BBC depois de questionar 46 mil pessoas, revela que apenas um marido sobre cinco e uma mulher sobre dez (hum... quer parecer-me que há muitas meninas aldrabonas...) traíram o companheiro.
A mensagem do Times: "Não tente salvar a relação com a falsa verdade que todos traem".

2) Se durante uma viagem de trabalho (hum... esta vai ser gira para alguem que conheço...) cometer excepcionalmente um adultério e o seu companheiro não tem maneira de o descobrir, quem quer preservar a sua relação deve saber que a honestidade não é necessariamente a melhor estratégia a adoptar.

3) O sentimento de culpa está a massacrá-lo e quer um conselho? Então respeite o seu companheiro e em vez de recorrer a um amigo, peça a opinião a uma pessoa de fora. Em Inglaterra existem os "conselheiros telefónicos", verdadeiros profissionais que, pela módica quantia de 45 libras por hora, oferecem um parecer sobre qualquer questão amorosa (Em Portugal, os traidores arrependidos têm sempre as cartomantes...)

4) Se a relação extra-conjugal aconteceu e se há hipótese de alguém ter visto e a revelar ao seu companheiro, antecipe-se e confesse tudo. Ter cedido à tentação por uma noite pode ser perdoado. Mas quem mente, nunca é perdoado.

5) Não se pode comprometer a saúde sexual do companheiro. Se foi estúpido o suficiente para ter tido sexo sem protecção, faça testes. Naturalmente, alguns vírus que são sexualmente transmissíveis, tal como o HIV, só podem ser detectado algumas semanas depois da relação de risco, em alguns casos até 3 meses depois. Portanto, neste caso, precisa confessar sempre a verdade ao seu companheiro, para que ele/ela possa submeter-se aos mesmos testes médicos.

6) Quando confessar a traição, o seu verdadeiro motivo deve ser um genuíno desejo de mudar ou terminar, com delicadeza, a relação amorosa. Nunca confesse a traição para aliviar o seu sentimento de culpa, para se safar ou até para ajustar contas.

7) A infidelidade é normalmente um sintoma, não uma causa, dos problemas duma relação e confessar pode forçá-lo a confrontar-se com questões essenciais. Por exemplo, se estiver bêbedo ou tomou qualquer tipo de drogas durante a sua relação extra-conjugal, o seu verdadeiro problema talvez não seja a infidelidade, mas a sua dependência da droga ou do álcool.
(Adoro esta! "Oh amor, não... não percebes... eu não sou infiel... eu tenho é um grave problema com o álcool!")

8) Frank Pittman, um psiquiatra especialista em relações afectivas, diz que há 4 tipo de infidelidades:
a) A infidelidade involuntária (trata-se de uma relação não premeditada que acontece quando se está bêbedo ou quando se é negligente);
b) A traição romântica (encontra alguém que é maravilhoso numa altura em que está a viver uma grande crise na sua vida);
c) O acordo matrimonial (é aquele tipo de traição que acontece quando está a viver um casamento que teima em não terminar ou que teima em não renascer);
d) A traição do mulherengo (é aquela que é praticada pelos homens que continuamente precisam de afirmar a sua virilidade ou pelas mulheres que são filhas da ex-mulher de um mulherengo);

9) As relações extra-conjugais são a principal causa de divórcio.

10) Só 3% dos 4100 homens infiéis deixam a mulher e casam-se com a amante. No entanto, 75% das pessoas que casam com os amantes, acabam por se divorciar.

Os leitores do Times parecem ter aprovado as sugestões do diário britânico e confirmaram que a infidelidade é algo que deve ser confessada apenas em casos excepcionais.
Mas dos melhores comentários que constam no diário, é o do londrino Harry: "O meu desejo de correr atrás de todas as mulheres está impresso no meu ADN como está em qualquer ADN masculino. Eu não sinto remorsos ou sentimento de culpa por aquilo que faz parte da natureza que Deus me concedeu".
E há ainda quem, como Carrie, recorde que não se pode ter tudo: "Divorciei-me do meu marido, depois dele ter tido uma relação via internet que foi longe demais. Custou-lhe a casa, o carro, a mulher e os filhos".

E pronto. Eu não faço comentários.
O Times, valha-me Deus...
Não posso dizer que desta água não beberei. Até agora, nunca bebi. E espero nunca vir a beber. Mas cada caso é um caso e pode vir parar-me um copo dessa água amarga à boca. Caso a beba, quer parecer-me que dificilmente a calaria.
Enfim... serei demasiado ingénua?? Ou esta teoria do silêncio é a deturpação de tudo aquilo sobre o qual deveria assentar uma relação??